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Perfil do Apostador Português: Idade, Hábitos e Gastos

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1,23 Milhões de Apostadores Ativos: Quem São?

O apostador português não é quem a maioria das pessoas imagina. Não é o estereótipo do homem de meia-idade no café a preencher o boletim do Placard. Em 2025, o perfil do apostador português é jovem, urbano, digital e, surpreendentemente, moderado nos gastos. Os dados do SRIJ e da APAJO desenham um retrato que contraria muitas das narrativas alarmistas que circulam nos media.

São 1,23 milhões de apostadores activos — pessoas que fizeram pelo menos uma aposta num trimestre — num universo de quase 5 milhões de registos em plataformas legais. O número de registos é superior ao de apostadores porque cada pessoa pode ter contas em múltiplas operadoras. 78,1% desses registos pertencem a jogadores com menos de 45 anos, com a faixa dos 25 aos 34 a representar 33,6% do total. É um mercado dominado por nativos digitais para quem apostar online é tão natural como usar Instagram ou encomendar comida por app.

Ao longo dos meus nove anos a estudar este mercado, vi este perfil evoluir gradualmente. Os primeiros apostadores do mercado regulado, em 2016-2017, eram predominantemente homens na casa dos 30 e 40, migrados do jogo offline. Hoje, a base é mais jovem, mais diversa e mais informada sobre as ferramentas disponíveis. É uma transformação geracional que as operadoras acompanham com investimentos em apps, gamificação e presença nas redes sociais — porque sabem que o apostador de 2026 não é o mesmo de 2016. Quem não se adaptar a esta realidade demográfica ficará para trás num mercado cada vez mais competitivo.

Faixas Etárias e Distribuição por Género

Os números demográficos revelam uma concentração impressionante nas faixas mais jovens. Cerca de 32,5% dos jogadores tinham entre 18 e 24 anos em 2025, e 29,8% entre 25 e 34. Somados, mais de 60% da actividade é dominada por menores de 35 anos. É um dado que tem implicações profundas para a política de jogo responsável, para a forma como as operadoras comunicam e para o tipo de produto que oferecem.

A predominância jovem explica muito do que vemos no mercado: a aposta no mobile como canal principal, o crescimento do live betting (que requer disponibilidade e reflexos rápidos), a importância das redes sociais como canal de descoberta. As operadoras que apostam em apps sofisticadas e em promoções gamificadas estão a falar directamente para este público.

Quanto ao género, os dados públicos do SRIJ não detalham a distribuição, mas o estudo da AXIMAGE para a APAJO, com 1.008 entrevistas, incluiu 829 homens e 179 mulheres — o que sugere uma proporção de aproximadamente 82% masculina. A presença feminina está a crescer, embora de forma lenta, e é mais pronunciada nos jogos de casino do que nas apostas desportivas.

Um aspecto que me parece subrepresentado na discussão pública é o impacto da faixa etária nas estratégias de jogo responsável. Se mais de 60% dos apostadores têm menos de 35 anos, as campanhas de prevenção precisam de falar a linguagem desta geração — redes sociais, influencers responsáveis, conteúdo digital acessível. Cartazes em salas de casino e folhetos no Multibanco já não chegam para atingir o público que aposta no telemóvel às duas da manhã enquanto vê um jogo da NBA. A adequação da mensagem ao público-alvo é tão importante como a mensagem em si.

Onde Estão os Apostadores: Lisboa, Porto e Além

A geografia do jogo online em Portugal segue, sem surpresa, a geografia da população e da conectividade digital. Lisboa e Porto concentram a maior fatia de jogadores registados: 21,7% e 21,1% respectivamente. Juntos, os dois maiores distritos do país representam mais de 42% do mercado.

Seguem-se Braga, Setúbal e Aveiro, que em conjunto com Lisboa e Porto cobrem quase 67% dos utilizadores activos. O padrão é claro: regiões metropolitanas com maior densidade populacional e melhor infraestrutura digital lideram. Mas o jogo online é um fenómeno nacional — mesmo distritos do interior, como Viseu e Castelo Branco, registam actividade significativa, proporcionalmente à sua população.

Um dado particularmente interessante: a nacionalidade brasileira representava 48,5% do total de registos de jogadores estrangeiros no terceiro trimestre de 2025. A comunidade brasileira em Portugal, estimada em várias centenas de milhares de residentes, é uma fatia relevante do mercado. Cabo Verde, Nepal e Angola completam o quadro das nacionalidades estrangeiras mais representadas.

Quanto e Com Que Frequência Apostam os Portugueses

Se há um dado que desconstrói o mito do apostador compulsivo como norma, é este: quase 70% dos jogadores gasta até 50 euros por mês, e 39,2% gasta menos de 25 euros. Estamos a falar de um gasto médio que equivale a menos de um euro por dia para a maioria dos apostadores. É menos do que um café diário.

Em termos de frequência, 44,3% dos jogadores aposta semanalmente, 19,8% diariamente e 18,8% mensalmente. O apostador semanal é o perfil dominante — alguém que provavelmente aposta nos jogos do fim-de-semana e pouco mais. O apostador diário, que representa quase um em cada cinco, é o segmento mais engajado e potencialmente mais lucrativo para as operadoras.

Os dados da APAJO mostram uma diferença significativa entre jogadores de plataformas legais e ilegais: entre quem joga exclusivamente em operadores licenciados, quase 80% gasta até 50 euros mensais e apenas 6% ultrapassa os 100 euros. Entre quem recorre a plataformas ilegais, 15% gasta entre 100 e 500 euros e 5% mais de 500. A conclusão é clara: o mercado ilegal atrai os apostadores de maior volume, o que torna o combate ao jogo ilegal relevante não só para a protecção do consumidor mas também para a receita fiscal.

Como os Jogadores Descobrem as Plataformas

O caminho que leva um novo apostador a escolher uma operadora é revelador das dinâmicas do mercado em 2026. A recomendação de amigos lidera com 37,1%, seguida de perto pelas redes sociais com 36,2% e pela televisão com 34,5%. Os motores de busca representam 28,2% e os sites portugueses de análise 23,1%.

Pedro Hubert, director do Instituto de Apoio ao Jogador, tem alertado para o papel dos influencers e youtubers na promoção de apostas online, afirmando que tudo o que é ética e regulação vai para lá do que é possível dizer quando se trata de publicidade nas redes sociais. É uma preocupação legítima: quando o canal de descoberta principal são as redes sociais, a fronteira entre informação e promoção esbate-se, e o público mais jovem é especialmente vulnerável a essa ambiguidade.

Para as operadoras, estes dados significam que o investimento em publicidade televisiva tradicional já não é suficiente. As redes sociais e o word-of-mouth digital são os canais com maior retorno, mas são também os mais difíceis de regular. A discussão parlamentar sobre limitação da publicidade ao jogo online, iniciada pelo Livre em 2025, nasce exactamente desta tensão entre eficácia comercial e protecção do consumidor no mercado de apostas.

Dúvidas Sobre o Perfil do Apostador

Estes dados demográficos e comportamentais geram perguntas concretas sobre o que significam para o apostador individual.

Qual a faixa etária que mais aposta em Portugal?
A faixa etária mais activa é a dos 18 aos 24 anos, representando cerca de 32,5% dos jogadores, seguida pela faixa dos 25 aos 34 com 29,8%. Mais de 60% da actividade de jogo online é dominada por jogadores com menos de 35 anos, segundo dados do SRIJ e da PPL para 2025.
Os brasileiros em Portugal também apostam nas casas legais?
Sim. A nacionalidade brasileira representava 48,5% do total de registos de jogadores estrangeiros no terceiro trimestre de 2025. A comunidade brasileira em Portugal é uma fatia relevante do mercado de apostas online, e todas as operadoras licenciadas aceitam registos de residentes em Portugal independentemente da nacionalidade.